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sexta-feira, 26 de março de 2010

Encounter



Estávamos deitados olhando para o céu. Na minha terra, de enchentes, buzinas , gente passando apresada para lá e para cá, nunca imaginaria fazer isso. Mas lá eu podia.
Nossas mãos estavam unidas. De repente bateu um vento frio, comum em cidades serranas. Me aconcheguei nele. Apesar de todas as diferenças, ali éramos apenas um homem e uma mulher.
O silêncio imperava. E eu curtia o momento. Não queria pensar no passado cheio de decepções e nem pensar no futuro no qual certamente não estaríamos juntos. O que me importava era o agora.
Sinto sua mão acariciar meu cabelo lentamente. Consigo ouvir o ritmo do seu coração. Me parece uma bela canção. Naquele momento pude sentir o amor e vive-lo na sua plenitude.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Capacho...


Não não dava mais. André viu que ela estava mais bonita do que ele já achava , era carinhosa, mas preferia Carol, com seus erros e defeitos de sempre. Pelo menos com Carol ele sabia lidar.
Talvez quem sabe pudesse juntar as duas, nada mal. Ela não quis, agora quem não quer é André. Ficou fulo, ele não queria mais e pronto.Porque ela tem que ficar xingado? Mentiroso....ela que viajou. Ta poderemos ser amigos, quem sabe quando eu me estressar com a Carol de novo...
Já éramos amigos...ela sempre de cabeça baixa, sempre sofrendo. Começou a namorar o Márcio que era um maluco.Ele falava para ela, sai fora dessa , sai fora. Ela ficava atrás dele. Daquele maluco. Ligando, mandando e-mail, indo para casa dele. Capacho total. Ele a aconselhava a cair fora.
Depois ela começou a fazer tratamento...separou de vez do tal maluco, numa hora de raiva pediu ajuda para André um conselho,e ele a aconselhou ponderar. O zoado era o Márcio não ela.
Ela seguiu seu conselho...de repente , num dos seus problemas com Carol, se sentiu mal. Se achava feio, por isso sofria. Ela depositava toda a sua confiança nele, ele podia se abrir com ela;
-Seja sincera...eu sou feio
-Não, vc é meigo carinhoso e muito bonito.
(tempo)
-E seu namoro como vai.
-terminei com a Carol...
-e comigo? Tem chance? Sim não ou talvez.
-Sim...

Ela era carinhosa meiga e estava muito mais bonita do que quando tinha visto da ultima vez. Não parecia nem um pouco burra como pensava antes, aliás era inteligente demais.Engraçada e divertida.

Menina complicada essa...
Não dava para mante-la no banho maria...sabia que ela não se conformava em levar um pé na bunda e ia atrás chorava. Capacho.
Resolveu tratar ela mal. Quem sabe assim...Xingou. Ofendeu..que ela deixasse ele em paz! Paz!
Sabia que ela não ia desistir no primeiro não. Foi assim com Márcio, não seria com ele que a tratou bem?
Essa resposta, este tudo bem. Hahh até parece que ele acredita. Tá.
FILHA DA PUTA SEM CORAÇÃO MESMO. Era o que ela era.
Não não deu chances ´para ela falar...ela ia ficar implorando chorando...ele sabia disso.Ela era carente. Ela se apegou a ele. Nem deu chances dela falar.
Recebeu depois um e-mail. Dentre outras coisas ela dizia que merecia pessoa melhor do que ele e o que o fazia pensar que ela ia ficar atrás dele como capacho??
Ta, que ele ia acreditar nisso! Ta bom.
Mandou um e-mail xingando de novo e um outro mandando ela não procurar mais ele. Ele a conhecia, quando eram amigos ele percebia que ela se fazia de capacho e sabia que ela era carente. Ia arranjar alguma forma de ficar atrás dele.
Ela estava quieta demais. Tava aprontando alguma.
Arrebentou a porta do quarto que o fazia lembrar ela...se pudesse tacava fogo em tudo.
Tinham acabado de fazer sexo. Ele suando ela ofegando. Ela sorria.
-Guagua...
-Sim...
-Tenho uma coisa para te contar...nunca contei para ninguém..
-Fala pode falar
-Eu já pensei em matar o Márcio...
-Depois de tudo o que ele fez..
-Não...estou falando literalmente...quis matar o Márcio, cheguei até a planejar.
-Ah como vc é exagerada
-Sim quis matar ele ...e o Marcel também ,lembra que eu falava dele para você
...
Ela iria aprontar alguma. Desligou todas as luzes e ficou lá trancado no quarto.Ligou para Carol, a Carol estava estranha. Ela deve ter aprontado alguma para a Carol não querer ir ver ele.
Ela tava aprontado alguma.
Iria ver a Carol, ver o que aquela bruxa falou. Melhor mesmo a Carol não sair de casa.
Alguma coisa ela tava aprontando , tava quieta demais. Ela sempre se humilhou. E porque ela ia deixar passar assim em branco, se até falar que o amava ela falou?
Resolveu ele sair de casa...ela era louca. Podia fazer qualquer coisa. Ia para casa da Carol.

No metrô não pôde acreditar no que via! Ela ali! Conversando alegremente com um rapaz. Linda como sempre, sem nenhum sinal de tristeza.
O cara era comparsa dela ..e quando ela se deu conta da presença dele já era tarde demais. Ele já estava com as mãos no pescoço dela e antes que alguém pudesse conte-lo a matou.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Barbara-parte I


Era apenas eu fechar os olhos. E podia sentir as gotas de suor que caiam dele nas minhas costas enquanto ele ia e vinha freneticamente. Agarrava meu cabelo, e eu nunca poderia acreditar que um puxão de cabelo fosse tão prazeiroso. Sua língua brincava pelos pelo meu pescoço e minhas orelhas. Eu não era capaz de aguentar, e sufocava os gemidos que saiam involutáriamente de mim no travesseiro. Estávamos no seu quarto, pequeno, ao som de um metal que eu não entendia mas tinha o mesmo ritmo agressivo e suave da dialética de nossos corpos. Mas tudo isso não passava de uma lembrança.
È claro que ele adquiriu inúmeras responsabilidades para seus parcos 20 anos. Mas não deixava de ser um garoto. E o que eu sou, além de uma dessas moças que gostam de dizer que são solteiras por opção, e só tem um único amor na vida:A própria carreira.
Eu o conheci logo depois de um relacionamento desastroso.
Achei engraçado nosso primeiro encontro...em um shopping , comendo um fast food. Logo eu que estava tão acostumada a frequentar lugares exóticos e sofisticados, ali, pedindo um sanduiche sem cebola. Foi muito interessante como ele era divertido, sem passar do extremo e como parecia querer ser mais maduro do que era. Rimos muito e eu logo pensei comigo” Isso não vai dar em nada”. Estava de folga do trabalho e como não tínhamos outro lugar para ir ficamos sentados ali mesmo, no banco do shopping. De repente, não mais que de repente ele me agarrou e me beijou. Fiquei duplamente constrangida: Primeiro porque eu não era mais nenhuma garotinha para ficar se agarrando em público e segundo porque aquele beijo com tal volúpia, deixou um calor em mim que foi preciso ir ao toalhete para não passar nenhuma cena constrangedora com minhas calças que estavam a ponto de molhar.
No dia seguinte de volta ao trabalho não conseguia me concentrar nos cálculos e planilhas, a receita da empresa de um dos meus clientes que eu tinha mais facilidade de fazer, parecia um pentagrama dificílimo de ser descodificado.Fui tomar um café , descafeinado,para “arrejar as idéias”, quando me dei conta que meu celular estava no modo silêncioso. E noitei que tinha inúmeras mensagens dele, sugerindo um encontro mais tarde. Não sei se foi pela insegurança expressa que ele demonstrava ali ou se foi pelo desejo explicitamente demonstrado que cheguei para meu chefe Rick e pedi uma licença. Reclamando, mas sabendo que fosse o que fosse eu não pensaria duas vezes em mandar ele “pra aquele lugar” me liberou. Não acreditei no que estava fazendo. E pelo visto nem minhas duas colegas de trabalho e amigas de tequila Simone e Cecília. Eu podia sentir dois pares de olhos arregalados em minha direção, um par verde e outro castanho claro. Não disse nada apenas sorri. E lá deixei meus tão adorados cálculos que eram meu refúgios todas as vezes que brigava com meu ex e fazia hora extra no escritório. Dessa vez era diferente. Eu estava sendo desejada, e isso me dava prazer.
Continua